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ARTIGO TÉCNICO
Tintas para pintar parede.
Como escolher dentre as que custam desde R$40 até R$ 200 a lata (18 litros)?
Como entender o que vai escrito nas letras pequenas?
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autor:
Carlos Sider
engenheiro e administrador de empresas, com mais de 25 anos de experiência
no ramo de tintas e produtos químicos para construção, tendo sido Diretor de
diversas empresas fabricantes. É hoje diretor da Magna/Protecto |
Este é o segundo artigo de uma
nova série de artigos que estamos publicando sobre Pintura.
Há alguns fatores básicos que você deverá ter em mente quando for escolher
uma determinada tinta para pintar uma parede. Além dos aspectos decorativos
e estéticos, claro. Vamos a eles:
1) parede externa?
Paredes externas sofrem influência direta de intemperismo e dos raios
Ultra-Violeta do sol. Se a parede externa for horizontal ou inclinada, pior
ainda, pois o ângulo de incidência será mais rigoroso.
Nestes casos, comprar da tinta mais barata é jogar dinheiro fora, pois muito
rapidamente você precisará refazer tudo. Principalmente porque um dos
principais fatores de custo dentro de uma tinta está na resina usada. E ela
é determinante na resistência ao intemperismo (ciclos de molha/seca+luz
solar).
Resinas acrílicas não sofrem quase nenhuma influência da luz solar, e
resistem muito bem aos "ciclos de lavagem". Mas atenção: resinas acrílicas
puras.
Aqui vale uma observação de um químico chato. Resina acrílica "pura" não
significa resina concentrada, quase sem diluição. A tal resina nesse caso é
um polímero (uma molécula grande obtida da soma de vários monômeros). Uma
resina acrílica pura é obtida da polimerização de radicais acrilatos, e só
eles. É bom ver isso com atenção, pois tem muita gente vendendo "tinta
acrílica", mas quando vamos ver na composição aparecem coisas como
"estireno-acrílica", "vinil-acrílica" e outras coisas mais. Estas são também
polímeros formados pela associação de radicais acrilatos com uma certa dose
de radicais estireno ou vinil. Por que? Ora, porque fica mais barato. Mas
fica inferior em termos de desempenho.
A maioria das ditas tintas acrílicas brasileiras são "estireno-acrílicas"
(vá checar nas latas, mesmo nas marcas mais conhecidas). As feitas com
acrílicas puras são aquelas mais caras, de alto desempenho, em embalagens
que foram encomendadas a artistas plásticos, etc, etc.
Bom, existem ainda outras, beeeem mais baratas, que são as antigas tintas
látex (vinil-maleato, vinil-ftalato, vinil-versatato, vinílicas puras) que
são definitivamente inferiores às acrílicas.
2) parede interna vale qualquer coisa?
Não, olhe lá! Vale a mesma coisa quanto ao aspecto "resina" mencionado
acima, mas não se espera que chova dentro da sua casa (se chover, chame a
Protecto. O problema é de impermeabilização de alguma coisa)
Também não haverá incidência de luz solar tão intensa. Portanto, vale mais
dentro de casa alguns aspectos como lavabilidade, acabamento, manutenção da
cor, etc, etc.
Novamente as acrílicas são laváveis (manchou, passe um pano úmido com sabão
e está tudo novo, sem manchas). As vinílicas também são laváveis, mas perdem
algum brilho ou aspecto de superfície quando lavadas.
3) é só a resina que interessa?
Não. Permita-me falar dos pigmentos.
Um fator que também pesa bastante no custo de uma tinta são os pigmentos.
Por exemplo, uma tinta branca (e todas as tintas de cores claras) leva um
negócio chamado Dióxido de Titânio (é o pigmento branco). Uma tinta branca
só com Dióxido de Titânio seria muito boa. E muito cara. Então os químicos
formuladores adicionam algumas outras coisas chamadas cargas (Calcita,
Dolomita, Barita, e outras coisinhas). Funcionam como coadjuvantes do
pigmento mas perdem a cor com o tempo.Traduzindo... amarelecem.
Agora, será que existe alguém que teria a co-ra-gem de fazer uma tinta com
resina vinílica e só com cargas, dando só "uma pitada" de resina acrílica e
do tal Dióxido de Titânio? Será? Olha, uma tinta dessa seria bem
ordinária... custaria bem pouco... perto de uns 40 ou 50 R$ a lata de 18
litros (ou até menos)... amareleceria rapidinho, começaria a descascar antes
do fim do primeiro verão... Será que alguém faria isso? (vá até uma loja e
veja com os seus próprios olhos).
4) parede nova ou parede velha?
Se for parede nova, invista na aplicação de um selador. Evita que a primeira
demão seja literalmente "chupada" para dentro da parede, e melhora a
ancoragem e o acabamento. Se o seu pintor disse que isso é frescura, que
basta uma primeira demão bem diluída, consulte um outro pintor, pois esse
parece ser meia-boca.
Se for parede velha, atenção especial para manchas e a diferença de cor
entre o antes e depois. Se a parede está com vários pontos de remasseamento,
ou você vai pintar com cor clara uma parede que antes era de cor forte, você
precisará de uma tinta "decente". Uma tinta mequetrefe tem pouca cobertura
(ou seja, você precisa de mais demãos dela para conseguir fazer com que as
manchas do passado desapareçam).5)
e a cor tem alguma influência?
Tem sim. Cada cor tem uma química diferente. Cada pigmento é uma coisa
completamente diferente da outra. Dióxido de Titânio é o pigmento branco.
Ftalocianinas de Cobre formam as famílias verdes a azuis. E paro por aqui
antes que você me dê um clique com seu mouse...
Não existem regras simples e práticas, mas a mais tradicional ainda é a de
que tintas mais claras são mais estáveis (mesmo porque absorvem menos raios
UV do sol). Mas fique tranquilo. Tintas com cores fortes (desde que sejam
tintas boas) duram mais do que o tempo que sua esposa leva para querer
trocar tudo de novo
Nós o convidamos a seguir conosco nesta série, que continua em nossas
próximas edições.
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