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(este
é o terceiro artigo de uma série sobre Reparo de Estruturas)
 Como
preencher novamente com concreto?
E com que concreto?
Se você está chegando agora a esta série, nós o convidamos a
ver antes os artigos anteriores. Clique aqui para acessar
o primeiro. Isto para que você saiba como e porque um reparo deve ter o
material danificado removido e a armadura protegida.
Há duas coisas bastante importantes a considerar nesta etapa:
- o adesivo - a ponte de aderência
- o tipo de microconcreto a ser usado no reparo
Então comecemos pelo primeiro: para que é necessário um adesivo?
Simples. Porque concreto novo não adere bem no concreto velho. E já que estamos
falando de fazer um reparo da forma correta...
O que serve como adesivo, ou como também é chamado, de ponte de aderência?

a) o mais antigo e menos eficiente de todos, mas conhecido por tudo quanto é
pedreiro - a boa e velha água. Não se liga o nome à pessoa, mas quando um
pedreiro molha uma superfície de cimento para rebocar ou chapiscar, ele está
promovendo uma espécie de ponte de aderência. É meio estranho chamar água de
adesivo, é verdade, e é justamente por isso que é o sistema menos eficiente;
b) pasta de cimento - a aplicação de uma nata entre as camadas de
concreto faz com que uma camada de "agente endurecedor" penetre nos poros das
camadas de concreto, melhorando um pouco
a adesão. É
melhor que água, mas ainda é pouco eficiente;
c) emulsões de polímeros ("colas" de PVA,
de base acrílica, de base SBR) - não só pela presença de água, mas também pelos
polímeros, penetram na porosidade de ambas as camadas de concreto (a velha e a
nova), formando uma boa ancoragem. Formam sistemas bastante úteis e eficientes
em superfícies molhadas ou úmidas;
d)
adesivos de base epóxi - acabam sendo os mais eficientes, por serem os
que melhor se compatibilizam com o concreto e com o aço das armaduras, além de
terem uma resistência química muito boa aos agentes corrosivos. Por esta razão
são os mais usados, exceto nos casos onde há umidade, quando se prefere as
emulsões.
Enfim, qual deles usar?
Depende de uma série de fatores:
- do estado em que se encontra o concreto base;
- do nível de umidade presente;
- do tipo de agente corrosivo que provocou o dano;
- da forma geométrica do reparo, e suas possibilidades de moldagem e formas;
- do tempo que se dispõe para o reparo (há casos onde a pressão de cronograma é
alta, pois há fábricas paradas, lucros interrompidos, etc)
- e acima de tudo, depende do tipo de concreto que vai ser aplicado.
Então,
antes de se dizer qual é o melhor adesivo, vejamos quais são os tipos de
concreto que se pode usar nos reparos:
1) microconcreto fluido - é "micro" pois tem granulometria controlada, e
já vem pre-misturado com os seus componentes devidamente dosados. Tudo para
garantir melhor compactação, ausência de contração, etc. Como o nome diz, é
fluido. Pode ser derramado facilmente, preenchendo muito bem os vãos e
evitando vazios. Mas por ser fluido oferece uma dificuldade maior em reparos
verticais, exigindo formas adequadas (e seus desmoldantes), bem como a
construção de "cachimbos" para derrame do material e saída do ar;

2) argamassas poliméricas (argamassas controladas com adição de
polímeros) para reparos de pouca espessura (ou profundidade) - como o
nome já diz, servem para reparos de pouca espessura ( no máximo 20mm). São mais
viscosas e conforme o tipo e fabricante, podem dispensar moldes mesmo em reparos
verticais;
3) argamassas póliméricas para reparos profundos - similar ao caso anterior, mas
permitindo camadas mais espessas;
4) argamassas especiais, epoxídicas ou com cimentos de cura rápida - argamassas
destinadas a reparos onde pressa é fundamental, ou onde as condições são
bastante adversas (um exemplo, vigas submersas em água do mar).
Enfim, o que se usa com quê?
| material de
reparo |
adesivo/ponte de aderência |
| microconcreto
fluido em geometrias simples (horizontais) |
só agua
resolveria (saturar bem a superfície) |
| microconcreto
fluido em geometrias complicadas |
emulsões
acrílicas ou PVA em áreas úmidas, ou epóxi em áreas secas |
| argamassas
poliméricas em reparos pouco profundos |
emulsões
acrílicas ou PVA em áreas úmidas, ou epóxi em áreas secas |
| argamassas
poliméricas em reparos profundos |
emulsões
acrílicas em áreas úmidas, ou epóxi em áreas secas |
| argamassas
especiais |
epóxi |
| qualquer
sistema em reparos rápidos |
epóxi |
Por mais genéricos que possamos tentar ser, a
escolha adequada de um sistema de reparo requer responsabilidade e conhecimento
da química envolvida em todo o cenário. Havendo qualquer tipo de dúvida,
consulte um especialista.
Como proceder ao reparo?
a) prepare a área, deixando-a limpa
b) aplique a ponte de aderência escolhida/recomendada
ou

c) se necessário, prepare a moldagem

d) aplique o concreto de reparo, conforme o sistema recomendado
ou

e) faça o acabamento

Uma vez concluida esta operação, e obedecidos os prazos e condições adequadas
para a cura, é hora de proteger a superfície reparada contra um novo ataque
corrosivo. Esse é o assunto de nossa próxima edição.
Caso queira acessar os artigos anteriores, clique sobre o título:
Quais as causas da deterioração do concreto?
Como reparar o concreto deteriorado?
Remoção do material ruim
Proteção das Armaduras
Proteção posterior contra corrosão
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