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ARTIGO TÉCNICO
Tintas betuminosas, primers à base de
solvente, primers à base de água... é tudo igual? Pra que servem? |
autor:
Carlos Sider
engenheiro e administrador de empresas, com mais de 25 anos de experiência
no ramo de tintas e produtos químicos para construção, tendo sido Diretor de
diversas empresas fabricantes. É hoje diretor da Magna/Protecto |
Os fabricantes dão a essas "gororobas" escuras o nome de primer, já que
funciona como uma tinta de fundo para a colagem das mantas.
As empresas que fornecem materiais para as lojas de varejo dão o nome de
tinta betuminosa, e dizem que esta tinta tem função impermeabilizante.
Há tempos atrás eram todos à base de solvente. Nos últimos anos, visando
oferecer uma solução mais barata ao mercado, surgiram os primer à base de
água, alardeados como ecológicos, etc.
Bom, em uma coisa todos se assemelham: o asfalto. É esse componente que
realmente interessa em todos os casos. É no asfalto que a manta é colada, é
o asfalto que perfaz a função impermeabilizante.
Alguns conceitos:
1) fórmula básica
Já que o asfalto é sólido na temperatura ambiente, ponha solvente nele. A
mistura final é líquida. Faça isso e vocë consegue algo parecido com um
primer muito bom. Mas caro.
2) Como baratear a fórmula?
Aqui é que começam as diferenças entre uns e outros.
Ponha mais solvente? Esqueça. O solvente custa mais caro que o asfalto (por
incrível que pareça). Mas não adianta colocar mais asfalto, pois a mistura
vai ficando mais grossa, difícil de ser aplicada, e com um rendimento de
aplicação muito ruim.
Então aparecem algumas estratégias usadas por aí.
- uso de solvente recuperado - mais barato que o solvente novo, mas alguns
contém benzeno e componentes aromáticos (que não fazem bem à saúde)
- uso, como solvente, de "cortes" mais pesados de refinaria (algumas frações
vendidas pelas refinarias, que contém uma mistura de querosenes e óleos
"contaminados" com asfalto. Boa estratégia, mas quanto mais "pesado" for o
"corte", mais tempo o primer/tinta leva para secar
- uso de óleo usado, borras de óleo, resíduos de re-refino, etc. Não são
solventes. Entram no lugar do asfalto. Barateiam a fórmula, mas acabam por
roubar a funcionalidade do primer. O uso demasiado de componentes como estes
inclusive prejudica o primer/tinta. Após alguns ciclos de "esquenta-esfria"
sofridos pela área onde são aplicados, os óleos começam a exudar
(liquefazem-se e separam-se da camada). Começam a descolar a manta ou fazem
uma "baita de uma sujeira" na área pintada. Portanto, desconfie dos primers
base-solvente muito baratos do mercado. Ninguém faz milagre impunemente
- uso de cargas minerais baratas - adiciona-se na fórmula componentes
sólidos, inertes em funcionalidade, mas que ajudam a formar o teor de
sólidos do filme final.
3) primer é igual a tinta?
Definitivamente não. Em termos de função impermeabilizante, de resultado,
primer é melhor que tinta betuminosa. Tinta tem menos "resina ativa"
(asfalto), tem mais carga inerte.
4) tinta betuminosa serve como primer?
Servir, serve. Mas não fica bom. Primer cola melhor.
5) algum dos dois impermeabiliza?
A bem da verdade, não. A quantidade de asfalto que fica aplicada sobre a
superfície é tão pouca (cerca de 200 gramas/m2, após a secagem) que não
permite a formação de um filme drenante ou impermeabilizante. Portanto, nem
primer nem tinta impermeabilizam. O que fazer é "dar uma fechada" nos poros
da superfície, fazendo com que a permeabilidade a umidade fica menor. Para
que começassem a impermeabilizar, teríamos de usar demãos após demãos (sem
exagero, dúzias delas!).
6) então a tinta deveria custar mais barato que primer?
Deveria. E nas fábricas que fazem os dois produtos isso até ocorre. Só que
existem alguns produtos no mercado que não obedecem a esta regra. Talvez
porque cobram mais pela marca do que pelo seu conteúdo.
7) e o que são os primers à base de água?
São na verdade emulsões de asfalto (clique aqui
para ver um artigo específico sobre isso). E das mais econômicas.
8) Funcionam bem?
Funcionam bem, e podem ser até melhores que os base-solvente, só que
apenas em determinados casos. Quando o substrato for concreto
recentemente curado, e ainda tiver um grau alto de umidade. Nestes casos o
base-água ancora melhor.
Se o concreto for antigo, melhor o base-solvente (embora possa ser usado o
base d'água)
Mas vale sempre lembrar: primers base aquosa demandam um maior tempo de
secagem.
Caso queira saber mais, entre em contato conosco.
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