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ARTIGO TÉCNICO
Uma análise prática e rápida das diferencas entre os vários tipos de manta
oferecidos no mercado
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autor:
Carlos Sider
engenheiro e administrador de empresas, com mais de 25 anos de experiência
no ramo de tintas e produtos químicos para construção, tendo sido Diretor de
diversas empresas fabricantes. É hoje diretor da Magna/Protecto
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A Bíblia nos conta que Deus mandou que Noé impermeabilizasse sua arca com
betume, por dentro e por fora. O uso de asfalto em impermeabilização é bem
antigo. E há não muito mais que vinte anos atrás, usava-se impermeabilizar
uma laje com asfalto mesmo, derretendo o mesmo e espalhando-o sobre a área.
As mantas apareceram como uma natural sucessão desta forma de
impermeabilizar. Em vez de derreter o asfalto, pode-se comprá-lo já
pre-moldado. Basta colar a manta sobre a superfície.
Agora, se é tão simples assim, e as mantas nada mais são do que uma forma de
vender o velho asfalto, por que então existem tantas mantas, com tão
diferentes preços?
Para responder esta pergunta de forma rápida, e tentando não ser chato com
tecnicismos, é preciso considerar que existem 3 fatores extremamente
importantes na hora de comparar uma manta a outra:
1) a massa (composição) da manta
2) o estruturante da manta
3) o acabamento externo da manta
O que faz a massa?
A massa é basicamente asfalto modificado, mas é nas modificações que estão
os segredos. A massa pode ser enriquecida ou empobrecida com aditivos e
cargas, e de forma geral, continua com a mesma aparência: um tapete preto! E
mesmo para os mais experientes, é difícil reconhecer as diferenças só no
"tato" ou no "jeito de ser" da manta.
Uma massa pode ser empobrecida com cargas (materiais adicionados sem
qualquer função a não ser o de baixar custo). Pode ser enriquecida com a
adição de polímeros que aumentam sua resistência a deformações, vida útil e
uma série de coisas. Mas como em tudo na vida, o que enriquece geralmente
encarece, e o que é barato é sinônimo de empobrecido.
De forma geral, as mantas elastoméricas (com adição de elastômeros, ex. SBS)
são as mais nobres, por terem características elásticas. Em seguida, em
escala decrescente de qualidade, vem as mantas plastoméricas (com adição de
plastômeros, tipo APP). As mantas blendadas vem a seguir, oferencendo um
blend de polímeros (geralmente obtidos de plásticos e borracha reciclada).
Por último vem as mantas econômicas, que perfazem o velho asfalto com
algumas cargas e plastificantes.
O que faz o estruturante?
De forma simples, faz a função do ferro no concreto. Não há laje sem
estrutura de ferro. E não há manta sem um estruturante interno.
Está sempre invisível, lá no meio da manta, mas é ele que responde, quase
que sozinho, pela resistência da manta à tração e ao alongamento, que são as
características mais exigidas quando a manta é aplicada na construção civil,
por conta da dilatação das estruturas.
Novamente, mantas mais caras tendem a ter estruturantes mais resistentes.
Mantas baratas tendem a ter estruturantes mais baratos, chegando-se a alguns
casos a estruturantes quase que ineficazes.
Exemplos:
- as mantas estruturadas em Poliéster (na verdade uma lâmina de
fibras prensadas de poliéster chamada de "não-tecido" de poliéster) são em
geral as mais resistentes. Entretanto, o véu de poliéster interno pode ter
diferentes densidades e gramaturas (gramas por metro quadrado). Quanto
maior, mais resistente.
- em seguida vem as mantas estruturadas em véu de fibra de vidro: as
mantas glass. Oferecem uma razoável resistência a tração, mas são
muito pouco resistentes a flexão e cisalhamento
- por último, enquadrando-se na linha dos estruturantes quase que
ineficazes, vem as mantas estruturadas com um filme de polietileno.Quanto
resiste um filme de polietileno (plástico usado em verduras) à tração? Mesmo
um filme mais espesso de polietileno (como é na verdade o caso da manta) não
oferece resistência muito maior. É apenas um estruturante interno, que
mantém a manta coesa. Podem ser usados somente em locais onde não deve haver
praticamente nenhum requisito de tração longitudinal ou transversal. Caso
contrário, a manta acaba se rompendo e a impermeabilização se vai.
E o que faz o acabamento?
Acabamento mesmo. Praticamente não tem função mecânica alguma.
As mantas usadas em geral só para fins de impermeabilização são acabadas com
um filme de polietileno de cada lado (sem ele um rolo de manta viraria um
"tronco" de asfalto em pouco tempo). Mas não confunda o polietileno do
acabamento com o polietileno que se usa no estruturante. Um nada tem a ver
com o outro.
Podem também ter areia no acabamento (mais barato), mas mais difícil de
manuseio e estoque.
Já as mantas acabadas com Alumínio (em um dos lados) tem por função
impermeabilizar e isolar termicamente, além de não requererem aplicação de
argamassa sobre elas. Idem para as mantas ardosiadas.
Concluindo...
Há mantas no mercado que custam R$ 6/m2 e outras que chegam a custar R$
25/m2. A diferença entre elas será sempre explicada pelos conceitos listados
acima.
Agora, cuidado! Há gente que diz que manta barata e manta cara é como carro
popular e carro de luxo. Ambos nos levam ao mesmo lugar, sendo só uma
questão de gosto e estilo. Raciocínio errado! Não é questão de gosto e
estilo. É de funcionalidade. Para continuar usando analogia com os carros,
pense que manta barata, manta intermediária e manta cara são como uma
pick-up pequena, um caminhão e uma carreta. Todas carregam carga, mas a
quantidade que cada uma carrega... Todas as mantas destinam-se a
impermeabilização, mas há requisitos diferentes para cada caso.
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