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ARTIGO TÉCNICO
Impermeabilizantes para serem
adicionados na argamassa funcionam?
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autor:
Carlos Sider
engenheiro e administrador de empresas, com mais de 25 anos de experiência
no ramo de tintas e produtos químicos para construção, tendo sido Diretor de
diversas empresas fabricantes. É hoje diretor da Magna/Protecto |
É
certo que funcionam. Falar o contrário seria desmentir décadas de
experiência na construção.
No entanto, como todo e qualquer produto, há lugares e situações para onde
são indicados. E lugares onde simplesmente não servem para nada (ou quase
nada).
Para entender melhor, e saber quando e para que servem, primeiro vamos falar
sobre
1) O que são estes impermeabilizantes?
São produtos destinados a tamponar ("entupir") os poros da argamassa ao qual
são adicionados, sem contudo trazer grandes alterações no processo de cura
do cimento.
São todos iguais? Obviamente que não. Há melhores e piores. Há os de marcas
mais conhecidas e há os pouco conhecidos.
2) O que os diferencia?
Para que possam entupir os poros da argamassa são produtos que sofrem
alterações durante a cura (endurecimento) do cimento. Dentre os componentes
presentes, há basicamente dois tipos:
a) os que reagem com a alcalinidade do cimento (silicatos, os sabões
graxos, etc). O produto dessa reação é um produto sólido, insolúvel em água.
Este produto final é justamente o que "entope" os poros;
b) os polímeros (acrílicos, vinílicos, etc) que secam assim que a
água vai embora.
Qual é melhor? Duro dizer. Depende da aplicação, de onde e como vão ser
utilizados. Mas pode-se dizer que os "reativos" são pouco ou nada flexíveis
- resultam em sistemas rígidos. Os poliméricos são mais flexíveis.
Na prática os produtos atualmente existentes no mercado usam um pouco de
cada um dos tipos de mecanismo. Se de um lado a associação até que é boa, do
outro lado todos dizem que tem tudo. A diferença fica por conta da
composição.
3) então são bons impermeabilizantes?
Não. São na verdade bons coadjuvantes de impermeabilização. Por que?
a) porque a eficiência depende da porosidade da argamassa. Qual é? Cada uma
tem uma. E quanto maior ela for (maiores forem os poros), mais inadequado é
este tipo de impermeabilizante. Exemplo: há gente que adiciona estes
impermeabilizantes até no concreto com o qual vão encher uma laje - com
pedras, areia grossa, etc. O impermeabilizante neste caso é praticamente
inerte.
b) porque são sistemas rígidos. Em grandes "panos" (áreas) não sobrevivem a
dilatações térmicas (ciclo esquenta-esfria) ou higroscópicas (ciclo
molha-seca). Acabam trincando e perdendo a eficiência
4) para que servem então?
Nos requisitos de qualquer impermeabilização há sempre uma pergunta
importante: como será a incidência de água sobre a superfície?
- a superfície ficará imersa? (piscinas, tanques, etc) - esqueça estes
sistemas. Eles podem até ajudar, atenuando porosidades, mas não resolvem;
- a superfície sofrerá incidência eventual de água, por exemplo uma parede
externa? Podem ser usados adicionados ao reboco externo. A redução de
porosidade fará com que a umidade tenha maior dificuldade em passar de fora
para dentro;
- a superfície deve apenas bloquear umidade (sob a forma de vapor), por ex.
umidade ascendente em paredes e baldrames? É o local onde mais
tradicionalmente se usa estes impermeabilizantes. Mesmo que o produto não
obstrua todos os poros, promove a obstrução de boa parte da umidade
existente.
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