Apesar de muita gente ainda acreditar em Papai-Noel, a verdade é que
concreto algum é impermeável. E como já falamos anteriormente, também não
há argamassa impermeável.
Mas se é assim, o que são as argamassas poliméricas, também chamadas de
argamassas impermeabilizantes?
A resposta mais fácil: são argamassas com algum impermeabilizantes embutido
ou adicionado nelas.
Agora, qualquer argamassa serve? Qualquer impermeabilizante serve? É só
juntar um com o outro e tudo se resolve? Óbvio que não, mas mesmo estas
perguntas podem ser usadas para indicar as diferenças entre tudo o que se
oferece no mercado.
Tudo começou com uma tradição: a de misturar um impermeabilizante na massa,
dissolvendo-o na água de amassamento (você já ouviu isso, certo?).
Mais tarde o número destes produtos impermeabilizantes foram se
multiplicando, um dizendo que fazia mais que o outro. Apareciam então os
tais cristalizantes.E pra encurtar
uma longa história de muitos outros capítulos, chegamos onde estamos hoje,
vendendo caixinhas ou baldes que contém uma parte em pó e outra em líquido
que, se misturados e corretamente aplicados, impermeabilizam certas
superficies. Chame como quiser (cimento polimérico, cimento com
cristalizante, argamassa polimérica ou argamassa impermeabilizante), estamos
falando, no fundo, no fundo, de uma coisa só.
Uma argamassa com porosidade "entupida"!
Concreto, cimento ou argamassa simples não são impermeáveis. Por que? Porque
tem poros demais, porque absorvem água ou umidade.
O que faz uma argamassa se tornar impermeável?
Para responder adequadamente, lembremos que uma boa argamassa polimérica, se
assim chamada, é composta por:
a) cimento e areia, cargas, enfim, a argamassa, além de algums outros
aditivos reológicos (espessantes, umectantes, etc)
b) um cristalizante
c) um polímero acrílico, junto com a parte líquida, que carrega a
água necessária para a cura do cimento
Qualquer cimentinho serve?
Quanto menores os poros da argamassa final, menos espaço entre os grãos para
entupir, certo? Certíssimo. Aqui apresentamos uma primeira diferença
gritante entre produtos e produtos. Algo chamado granulometria (o tamanho
dos grãos sólidos).
Quanto mais finos estes grãos, melhor a argamassa. Isto significa que uma
boa argamassa precisa de cimento bem peneirado (fino), quando se "joga fora"
a parte grossa. Também significa que não deveríamos estar falando de areia
comum, mas sim de micro-sílicas. Um produto bom tem tudo isso, e a "parte
pó", falando de forma bem simples, deve apresentar uma textura, quando seca,
bem parecida com talco, ou amido de milho (tipo "maizena").
Mas... e se eu quiser baratear o produto? Começo esquecendo das
micro-sílicas, e passo a usar areia peneirada (tem gente que usa areia de
rio mesmo, da mais fina). Depois passo a usar cimento mesmo, do jeito que
chega, sem peneirar. Depois esqueço dos espessantes e outros aditivos que
fazem com que o produto seja mais coeso, etc, etc. Resumo da ópera: fica
tudo com a mesma cara de cimento, cinza claro, e se quem usa não percebe que
o pó tem algumas "grossurinhas"...
E o que é um bom cristalizante?
O cristalizante é um silicato que, quando misturado com a água e com
toda a alcalinidade do cimento, acaba se transformando em hidrosilicato.
Ou seja, uma parte do pó se transforma na presença de água, transformando-se
num outro produto, que tem como principais características ser um cristal
insolúvel em água, que entope os poros da argamassa.
Só ele entope tudo? Se formulado em quantidade correta, sim. Mas há apenas
um inconveniente: o sistema resultante disso é uma argamassa bastante
rígida. Dilatações, flexões, trabalhos mecânicos nas lajes ou superfícies
acabam por romper ou causar microfissuras nestas argamassas cristalizadas.
E pra serve o polímero acrílico?
PAra dar flexibilidade, além da vedação dos poros. Ele atua em conjunto com
o hidrosilicato, também entupindo a porosidade da argamassa, e oferecendo
uma boa resistência às dilatações e trabalhos mecânicos.
Mas vale a pena lembrar: apesar de um sistema mais flexível, ainda se trata
de uma argamassa, dura como cimento (pois é cimento mesmo), com um cristal
interno (mais duro ainda que o cimento), com um polímero fazendo as honras
da dilatação. Por isso é correto chamar estas argamassas de
semi-flexíveis.
(Importante não confundir com as argamassas flexíveis, com adição de resina
termoplástica, pois são produtos bem mais requintados e flexíveis. Sobre
elas falaremos em um próximo artigo)
Agora, novamente... se eu quiser baratear o produto? Primeiro esqueço ou
reduzo a quantidade de polímero acrílico (é o componente mais caro),
deixando por lá só um cheirinho dele pra dizer que existe algo. Depois
controlo um pouco a vontade do químico de colocar a quantidade exatamente
necessária de silicatos. E por aí vamos...
Quer mais ainda? Note que existem argamassas bi-componente e argamassas
mono-componente. Estas últimas (mono-componentes) não contém polímero algum.
São puro cimento, areia e silicatos. Adicione água e você terá um cimento
com cristalizante. Comparado às argamassas com polímero, perde longe em
flexibilidade.
Concluindo...
Há argamassas que custam de A a Z. De R$ 21 a R$ 40 a caixa de 18kg, em
geral. Além das variações comerciais possíveis, sugiro que você fique atento
ao que elas se propõem a fazer, e também ao que elas podem fazer (mesmo
porque, na embalagem, há fabricante que é capaz de dizer que o produto dele
cura até dor nas costas!)
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